#258 GUSTAFSSON, Lars, A Morte de Um Apicultor

Opinião: "Por exemplo, a inquietação sexual (...). Esta fome surda, obscura, esta sensação de me faltar qualquer coisa que me persegue, no sono, na vigília, em cada momento da minha vida. Que é isto? A possibilidade de amor no nosso corpo."
Este é o quinto romance da autoria do escritor sueco Lars Gustafsson (1936-2016) e, segundo a badana do livro, é considerado a sua "obra-prima". Comprei-o porque achei o título belíssimo (e muito promissor).
Se, por um lado, houve trechos de grande beleza - no isolamento, na proximidade à natureza, numa ou outra reflexão sobre a vida e, sobretudo, sobre o seu fim -, em geral foi, para mim, um livro ameno. Lê-se muito bem, com uma ou outra parte que nos atira para fora de pé - suponho que o próprio narrador alucine um pouco, devido às dores que o tolhem. Não sei se não era o momento, não sei se o tema "cancro" me é demasiado familiar. Não sei se as abelhas terão estado pouco presentes, ou talvez até por se tratar de um livro pequeno que, no entanto, nos permite vislumbrar a realidade sueca dos anos 40 aos 70. Porém, não conseguiu comover-me. Isso deixa-me confusa quando à questão de se tratar esta da "obra-prima" de um autor sueco. A literatura não tem de ser extensa, nem complexa, nem inteligível. Mas convém que nos acrescente algo...
"Um pequeno ser humano encerrado no seu próprio enigma."
Infelizmente, este romance não me acrescentou nada.
Sinopse: “Foi professor na escola oficial de Väster Vala: chama-se Lars Lennart Westin. Deram-lhe a reforma antecipada quando fecharam a escola primária de Ennora, na margem norte do lago. Sustenta-se fazendo de tudo um pouco, mas principalmente vendendo o mel das suas colmeias, que esporadicamente dão uma produção abundante. Desde que se divorciou vive numa quintarola em Näset, que fica a par das aldeias de Vretarna e Bodarna, mas na margem oriental do lago, claro. Tem uma hortazinha, um terreno com batata e um cão. Às vezes recebe a visita de familiares. Tem telefone, televisão e uma assinatura do jornal de Västmanland. Depois do divórcio não teve contactos femininos dignos desse nome (...).
O que vamos ler são apontamentos dele. Apontamentos deixados por ele, pois nesta Primavera de 1975, precisamente por alturas do degelo, ele descobre que antes do Outono terá desaparecido.”
A obra-prima de um dos maiores escritores suecos contemporâneos, agora revelado ao leitor português.
Classificação: 3***/**